sexta-feira, 21 de junho de 2013

Meu dia de "mãenifestante"



Tenho sido constantemente criticada pela minha opinião a respeito das manifestações que se espalharam pelo Brasil. 
Primeiro por ter me posicionado radicalmente contra o vandalismo e a baderna, e depois por ter apoiado a repressão da Polícia em vários protestos violentos que transformaram algumas capitais em verdadeiras praças de guerra.

Um grande amigo meu, ao ler um dos meus comentários em uma rede social, ficou tão indignado que chegou a me telefonar, só para me dizer que, antes de ter qualquer opinião formada sobre as manifestações, eu deveria "tirar a bunda do sofá e ir pra rua", porque, segundo ele, a minha visão "parcial" sobre os eventos não correspondia à realidade dos fatos.

Pois bem, tive que dar a cara a tapa. Era um argumento mais do que válido.
Assim, depois do puxão de orelha, mudei o meu status de "telespectadora" para "observadora in loco" da manifestação.

Antes, porém, muita negociação em casa. Marido indignado, sogra preocupada, e a decisão de não avisar os meus pais.
Sim, porque eu já sabia o que iria escutar ("Você está loucaaaa! Sua irresponsável, você tem uma filha pra criar!).

Conflitos domésticos a parte, marchei, na companhia de três amigos, rumo à Esplanada.

Olha a gente aí! Faltou o Alexandre, o fotógrafo da vez!
Durante o nosso percurso, a primeira visão que tive foi do maciço policiamento no coração da capital. Eram muitos policiais, viaturas, helicópteros, bombeiros, cavalaria...



E aí, confesso, tive medo. Não sabia o que esperar, e nem como estaria o clima entre os manifestantes que já tomavam o gramado do Congresso Nacional.
A curiosidade, no entanto, falou mais alto, e prosseguimos.

Ao chegar em frente ao Palácio do Itamaraty, notamos os cordões de isolamento de ambos os lados, tanto na altura do Palácio da Justiça (protegendo contra possíveis invasões ao Palácio do Planalto), como no acesso ao teto do Congresso.

Mas, até então, tudo transcorria bem. 
Jovens, adultos, profissionais, pais, mães, idosos e até crianças ocupavam pacificamente a Esplanada, portanto cartazes e faixas.
Muitos com os rostos pintados de verde e amarelo, gritando palavras de ordem e cantando o seu orgulho de serem BRASILEIROS.




Eram muitas as reinvidincações, fundadas em anos e anos de atrocidades contra o erário, nas más condiçoes de vida da população, e principalmente no descaso do Poder Público.

Muitos protestavam contra a PEC 37, e também em desfavor da "Cura Gay". O preço das passagens não foi o protagonista do movimento de ontem, visto que o GDF já havia anunciado a redução da tarifa.


Diante da diversidade de pautas, me ocorreu uma consideração. A falta de "liderança" no movimento, ao meu ver, deveu-se ao caráter único e bastante peculiar dos manifestantes.

Dessa vez, o "chamado" para ir às ruas não estava vinculado à nenhuma ideologia político-partidária, sindical, e também não partiu, necessariamente de uma organização civil.

Cada um protestava contra aquilo que julgava prioritário, de forma livre, e talvez, por este motivo, desorganizada.

Porém, pude notar que havia uma atmosfera de unidade, que ligava os ativistas indepentemente da "bandeira" que carregavam. O importante, naquele momento, era a tentativa de transformação.

A maior prova disso era a tentativa de reprimir a baderna. De coibir os atos de idiotas que se aproveitam do movimento para vandalizar e desconfigurar a licitude do movimento.

O barulho dos rojões e o clarão dos sinalizadores eram vaiados pela multidão que gritava incessantentemente "SEM VIOLÊNCIA! SEM VIOLÊNCIA!".

Quando os estouros ficaram frequentes, TODOS se sentaram no gramado em frente ao Congresso, numa atitude de repúdio aos incitadores da confusão, e na tentativa de facilitar a visão da Polícia.
Foi de arrepiar!


No entanto, infelizmente, ao invés de reprimir o ato de uma minoria facilmente identificável, a PM revidou contra a massa, lançando, indiscriminadamente, gás de pimenta em todos os que se encontravam no local, causando tumulto e desespero entre os presentes.


Vejam que a "nuvem" de gás é notada até na foto


Os manifestantes não tiveram outra alternativa a não ser correr em direção ao Palácio do Itamaraty, visto que o "ataque" vinha da direção contrária.

Muitas pessoas passaram mal,  e eu e o meu grupo fomos auxiliados por jovens que distribuiam vinagre para "neutralizar" os efeitos do gás. Porém, por experiência própria, não adiantou muito.

E, nesse tumulto, aproveitando-se da distração da polícia e do corre-corre do público, houve a invasão do Palácio Itamaraty e o início de uma série de incidentes lamentáveis na Esplanada e nos arredores da rodoviária.
Invasão e princípio de incêndio no Palácio Itamaraty

Homem tenta escalar o mastro da bandeira em frente ao Itamaraty. Várias bandeiras da Avenida dos Estados foram retiradas pelos vândalos

E assim, pela ação de uma minoria arruaceira, criminosa e mal intencionada, um protesto admirável ficou manchado pela violência e pela depredação do patrimônio histórico.

Deste momento em diante, deixaram a Esplanada, junto conosco, os jovens de cara pintada, "a velha guarda", os pais e mães de família, os reais ativistas, e todo aquele orgulho de representar uma revolução cultural do Brasil.

Restaram poucos manifestantes, muitos oportunistas, o caos e a violência.

De toda a experiência, o que mais me marcou foi o sentimento de impotência e de indignação.
Impotência diante do vandalismo, e indignação pela truculência da nossa PM.

Não é difícil pensar que, se não fosse a dispersão dos manifestantes em frente ao Congresso com o uso de gás de pimenta, não haveria o tumulto generalizado e a consequente série de eventos que culminaram com o triste encerramento do evento.

Não sei se voltaria às ruas, porém, não me arrependo de ter ido.

Boa ou ruim, certa ou errada, esta foi a minha experiência.

Continuem acreditando no bem e a mudança virá!


Beijosss!

5 comentários:

Lu disse...

mt bom...
pretendo ir no sábado, vamos ver como será a próxima.
:d

M. disse...

É muito bom ler os relatos de quem estava lá e é imparcial!
Texto muito bom, Fê. Super apoio as manifestações, e a falta de liderança não dificulta o entendimento acerca do que o povo quer: mais DECÊNCIA por parte dos nossos governantes.
Parabéns por "dar a cara a tapa"! É disso que precisamos!

POLLYANNA MEIRELES disse...

Muito bom, Fê! E ainda mais acompanhada de pessoas excepcionais. A Bia terá muito orgulho da mãe dela. Eu já tenho super, thunder, blaster orgulho da minha amiga! Bjkas

Anônimo disse...

A blogueira, reporter por um dia.
Será que seu pai teria realmente a posição acima?
Parabéns Lora, a vida tem que ter muita luta!
Orgulho do seu velho.
MSV

Mariana Belloni disse...

Oi Fê!
Ótimo texto!Adorei seu relato, é tão bom ter a experiência relatada por uma pessoa confiável!
Eu apoio essas manisfestações que estão ocorrendo. Esse pequeno grupo de vândalos não representam esse movimento. Acredito, inclusive, que eles estão lá propositalmente para enfraquecer essas manifestações.
To orgulhosa do nosso povo e com a esperança de que algo bom virá disso tudo!
bjos
mari

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